dos diálogos excêntricos no MSN...
☼ भक्ति ओहन ☼ Transfiguração pela poesia disse:
* ou a mente como algo predecessor a toda existência? a mente "divina", a mente criadora, é a predecessora da existência material - no q eu quis dizer ali emcima sobre a essência preceder a aparência. vc tem uma razão absolutamente sofisticada operando um sistema complexo e caótico, onde a existência de tudo baseia-se em um equilíbrio muito volátil. todos os seres da natureza estão dentro desse estratagema, servindo perfeitamente ao seu contexto. a idéia de todos os seres vivos, de um lado é nutrir-se, e de outro lado nutrir ao seu entorno. essas são as dinâmicas básicas do universo, retração, e expansão. fortalecimento interno e expansão, e troca.
☼ भक्ति ओहन ☼ Transfiguração pela poesia disse:
* quando eu disse que tudo que existe parte de uma idéia, não falo de uma idéia exclusivamente nossa, mas uma idéia inata, por exemplo: na criação de uma cadeira existe antes a discriminação da função de cadeira e os elementos básicos constitutivos da cadeira que a fazem ser como ela é, estável, sustentável (na verdade a idéia de essência eh bem mais branda que essa, mas enfim)... na criação de todas as espécies, conforme o ambiente foi mudando, novas "idéias" de elementos adaptativos foram "criados" antes do surgimento efetivo desses elementos. eles foram necessários, naturalmente, para a evolução e adaptação de uma espécie... *** a folha cresce em direção ao sol, pois este é seu alimento, e é em direção a alimentação de seu complexo fisiológico que os caules se postam de tal forma. é à idéia de satisfação de suas necessidades que se dobra a realidade densa dos seres vivos. a outra idéia que é base de um ecossistema, é a função de troca desse ser vivo com o ambiente. essas "idéias" não são idéias próprias do homem, são "idéias" que estruturam os movimentos naturais. mas a realidade complexa do homem se diferencia dos demais seres pois seus discernimentos podem vir tanto de elementos da mente inferior, dos 5 sentidos, dos desejo a serem preenchidos, a mente repetitiva, discriminativa, condicionada por si mesma e pelas necessidades individuais; tanto por elementos da ordem da mente sutil, da inteligência cósmica que é a fonte de todas as idéias de que falo, pela sabedoria ao invés de pelo conhecimento material (como vc falou qdo falou da intuição). para VER, fisiologicamente, as formas da natureza você precisa dos 5 sentidos, o que uma onça também possui, mas para abstrair a sua essência, para transformá-la em equações (traduções da essência geométrica da natureza), vc precisa de uma mente trabalhando com abstrações não com os 5 sentidos básicos, não com o repeteco das suas experiências, vc precisa acessar uma "outra dimensão" onde você vê além das aparências, uma outra "dimensão cognitiva" do homem (exclusivamente). e é desse "6o sentido" que Platão fala, desta visão.
*** "o meme é considerado uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma autopropagar-se. Os memes podem ser idéias ou partes de idéias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. O estudo dos modelos evolutivos da transferência de informação é conhecido como memética.... analogia da "linguagem como vírus".... A evolução memética, tal como o seu equivalente genético, pressupõe a possibilidade de mutações e de um mecanismo darwiniano de selecção natural para que possa ter lugar. As mutações são o factor responsável pela emergência de variações essenciais; as que são mais eficazes ao em replicar-se tornam-se, por definição, mais comuns, possuindo uma maior probabilidade de continuarem a replicar-se"
Wikipedia
"A chave de todo ser humano é seu pensamento. Resistente e desafiante aos olhares, tem oculto um estandarte que obedece, que é a idéia ante a qual todos seus fatos são interpretados. O ser humano pode somente ser reformado mostrando-lhe uma idéia nova que supere a antiga e traga comandos próprios."
Ralph Waldo Emerson (Filósofo e Poeta)
...No princípio era o Verbo...
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sábado, 15 de maio de 2010
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Congênito, Luiz Melodia
Se a gente falasse menos
Talvez compreendesse mais
Teatro, boate, cinema
Qualquer prazer não satisfaz
Palavra, figura de espanto
Quanto na terra tento descansar...
Não representa nada
Tá na cara
Que o cara tem seu automóvel
E tudo que se tem
Não representa tudo
domingo, 15 de novembro de 2009
equívocos lingüísticos - the pursuit of happiness
é inenarrével o prazer que um ser humano no mundo moderno pode alcançar o sublime (meditando?/ respirando? NOT) simplesmente escrevendo frases com concordâncias absurdas. é tão simples e tão funcional que a gente até duvida!
veja bem, a colocação "adorei essas notíça" é suficiente pra iniciar um sutil formigamento no corpo, uma inquietação, um respiro pro coração extressado do dia-a-dia.
errar é tão gostoso, tão subversivo! é como inventar palavras, ou significados, e brasões, e quadros dentro da mente da gente. é o que nos move desde sempre. erramos, e quanto mais erramos, menos queremos fazer o certo. acho que ficamos viciados em ser os mauzinhos, errar consciente é o nosso ato máximo do desacato e do desprezo. afinal estamos todos iguais na condição de expulsos do paraíso e propriamente emerdados por Deus (isso quer dizer, submersos na merda Divina um a um) , excetuando-se a galera da África do Sul é claro, que encontrava-se geograficamente bem mais próxima de Seu Santíssimo rêgo.
para salvar esse mundo da total miséria e avacalhação, o mínimo que podemos fazer é dar a ele uma cara de piada inacabada, um Grand Finale realmente grande e digno como todos os grandes acabamentos. e é admirável mesmo que sejamos capaz de nos inflar de graça, ao invés de implodir no drama. afinal, poderia ser pior, hoje poderia ser domingo e você estar na casa da tia avó da senhora sua mãe com toda a parentada de graus (e habitats) mais obscuros, OU, curtindo o Faustão no SEU quarto, e tendo que reparar, tediosamente, que o Faustão preenche os quatro quadrantes da tela com a sua gorda falta do quê falar.
mas quanto aos erros, e à Graça, de quem são filhos, costumam dar sinais de seus efeitos em casos do tipo "as bicha se jogão", ou "aiii mordi minha mãe sem qrer", você se pergunta se leu aquilo mesmo. em seguida, conclui que fatalmente foi aquilo o que leu, e com pompa de herói, ao invés de se deprimir, se debater, ou gritar pela sua mãe, opta por encarar a coisa como um resgate kármico, um treino super saudável (e essencial para o homem de hoje!) que não deixa nosso famigerado coração cheio de amargura nos vasos. o humor é o próprio ato da transmutação. principalmente o humor negro (ele poderia ser de outra cor se a Vida nos liberasse os pincéis, mas digamos que Ela chegou primeiro e que não estava lá muito para solidariedades)... além de transformador, ver graça na pobreza de espírito, na falta de léxico ou na "distração sintática" do seu Orientador de Tese, é um ato de alquimia! você dá chance ao insólito de se travestir de mulher, e ainda fora da época de carnaval.
essa coceira que a gente sente no cérebro quando lê ou ouve algo inumanamente bossal, isso é o humor operando catarata de olhos fechados em nós... é nosso dever saber reconhecer os milagres quando nos deparamos com um.
e lembre-se sempre: se a vida te deu limões, nem pense em fazer uma limonada!
ps: os erros ortográficos no texto são recursos estéticos, ok, ngm se meta na minha lambança textual.
veja bem, a colocação "adorei essas notíça" é suficiente pra iniciar um sutil formigamento no corpo, uma inquietação, um respiro pro coração extressado do dia-a-dia.
errar é tão gostoso, tão subversivo! é como inventar palavras, ou significados, e brasões, e quadros dentro da mente da gente. é o que nos move desde sempre. erramos, e quanto mais erramos, menos queremos fazer o certo. acho que ficamos viciados em ser os mauzinhos, errar consciente é o nosso ato máximo do desacato e do desprezo. afinal estamos todos iguais na condição de expulsos do paraíso e propriamente emerdados por Deus (isso quer dizer, submersos na merda Divina um a um) , excetuando-se a galera da África do Sul é claro, que encontrava-se geograficamente bem mais próxima de Seu Santíssimo rêgo.
para salvar esse mundo da total miséria e avacalhação, o mínimo que podemos fazer é dar a ele uma cara de piada inacabada, um Grand Finale realmente grande e digno como todos os grandes acabamentos. e é admirável mesmo que sejamos capaz de nos inflar de graça, ao invés de implodir no drama. afinal, poderia ser pior, hoje poderia ser domingo e você estar na casa da tia avó da senhora sua mãe com toda a parentada de graus (e habitats) mais obscuros, OU, curtindo o Faustão no SEU quarto, e tendo que reparar, tediosamente, que o Faustão preenche os quatro quadrantes da tela com a sua gorda falta do quê falar.
mas quanto aos erros, e à Graça, de quem são filhos, costumam dar sinais de seus efeitos em casos do tipo "as bicha se jogão", ou "aiii mordi minha mãe sem qrer", você se pergunta se leu aquilo mesmo. em seguida, conclui que fatalmente foi aquilo o que leu, e com pompa de herói, ao invés de se deprimir, se debater, ou gritar pela sua mãe, opta por encarar a coisa como um resgate kármico, um treino super saudável (e essencial para o homem de hoje!) que não deixa nosso famigerado coração cheio de amargura nos vasos. o humor é o próprio ato da transmutação. principalmente o humor negro (ele poderia ser de outra cor se a Vida nos liberasse os pincéis, mas digamos que Ela chegou primeiro e que não estava lá muito para solidariedades)... além de transformador, ver graça na pobreza de espírito, na falta de léxico ou na "distração sintática" do seu Orientador de Tese, é um ato de alquimia! você dá chance ao insólito de se travestir de mulher, e ainda fora da época de carnaval.
essa coceira que a gente sente no cérebro quando lê ou ouve algo inumanamente bossal, isso é o humor operando catarata de olhos fechados em nós... é nosso dever saber reconhecer os milagres quando nos deparamos com um.
e lembre-se sempre: se a vida te deu limões, nem pense em fazer uma limonada!
ps: os erros ortográficos no texto são recursos estéticos, ok, ngm se meta na minha lambança textual.
domingo, 10 de maio de 2009
Sobre o brilho e as dores do Mundo
eu fico boba quando eu vejo a relação da minha mãe com a minha gata (e vice-versa)... quando elas se olham, alguma coisa acontece, há alguma partícula que as duas dividem que faísca em seus corpos quando se reconhecem os olhos. o mágico mesmo é que enquanto trocam esses olhares, parecem estar preenchidas de um sentimento que somente elas compartilham, e do qual o resto do mundo não participa e não está nem ciente de que existe, que dois seres diferentes podem comungar o mesmo mantra... quando elas se olham é tão sincero, que quase dói lá no fundo a certeza de que não há honestidade maior do que a que compartilhamos com esses seres, tão diferentes de nós. e não digo somente dos gatos, digo de todos os animais que nos olham fundo, através de nossas carcaças perecíveis, sem a menor consciência de estarem nos despindo, e com a súbita inocência de criança que só sabe ler o sensível, só sabe ler o óbvio. pq sim, é preciso entender que nossa linguagem é por demais complicada pra que possamos dizer, ou ser algo que não seja dubio, ou paradoxal. somos bichos imensos e imponentes, resignados ao sapato apertado da métrica, isso nos faz espécimes complicadíssimas... e os nossos companheirinhos não vêem isso, eles não nos julgam. e é por isso que penso haver entre nós e os demais animais do Reino, uma espécie de equilíbrio, pois quando nos relacionamos com eles, voltamos em pequena medida a falar a língua de deus *, a língua que não está nas impressões recentes da bíblia, a língua que o nosso povo esqueceu... e isso nos trás um pouco de volta pra perto do que realmente somos, quando ficamos encantados com o quanto de amor podem nos dar esses conterrâneos de peculiar fisiologia...
quando vejo a Bel e a minha mãe se olhando, eu penso em tudo isso. e mais ainda em uma passagem do clássico do Milan Kundera (A Insustentável..) que falava mais ou menos que o verdadeiro grau de bondade do homem, só poderá ser medido no seu relacionamento com os que não demonstram força, ou indicam perigo: os demais seres vivos... nunca poderá ser dito bom um homem que ajuda somente àqueles dos quais sabe que irá tirar algum proveito mais tarde. não existe bondade com quem você mede forças. seja um affair, uma ex do seu atual, ou whatever... dificilmente haverá bondade pura entre os homens, com seus desejos e intentos tão sofisticados... a bondade é gratuita, aparece sem preço de custo, ou juros! e há em nós, uma grande gama de interesses, ao qual o mundo está subjulgado em nossas sinapses, e assim fica difícil, realmente, nos doar a qualquer outro... e do jeito que as coisas andam, se olharmos, como Milan o fêz, para o mundo em que nascemos e o mundo que estamos deixando, tão porco, tão podre, tão violento, é impossível evitar o sentimento de que algo saiu errado...
das árvores que colheríamos o alimento, fizemos tábua para nossos móveis, e papiro pras nossas assinaturas; dos animais que fertilizariam esse solo, ou daria-nos leite, ou ovos eventualmente, tiramos logo a carne, a pele, o osso, o tutano pra fazer creme de cabelo, até que aquilo não pareça com algo que um dia teve vida... e é assim que eu imagino a Terra, momentos antes de as deixarmos, seca, pelada - ficou que só os galhos, coitada - rachada feito o solo do meu sertão... tanta gente viveu nesse mundo, e lutou, e deu a vida a essa luta, pra que deixássemos a nossa casa assim, marcada pra morrer; pra que deixássemos a vida com medo do que pensar da vida que deixamos pras crianças viver... eu me envergonho, me enveneno, até, desta verdade, honestamente. e essa vergonha cresce a cada dia, meu tamanho meu corpo físico lúdico gasoso, meu mundo, meu Universo Inteiro se reduz a cada dia... todo dia acordo um pouco menor, um pouco mais curvada, com mais rugas... e me sinto cansada... e fico pensando até quando... até quando, meu deus, eu vou acordar com o peso do mundo desmoronando sobre as minhas emoções... é possível envelhecer com isso guardado?
eu quero viver pra ouvir o ronron dos gatinhos, e a mágica composição do canto dos passarinhos, e ver o sol nascer, e morrer, todo dia, sem pensar que a minha espécie está destruindo tudo aquilo que eu amo...
* por favor, queiram entender aqui que "de deus" não se trata SER BOM, MORALMENTE VIGOROSO, ou DOGMATICAMENTE ACEITÁVEL, me refiro simplisticamente ao que é da Natureza, não me importam muito os nomes...
Lui diz:
*dps te mando o link se quiser
*mas eh mais um dakeles textos reclamando da vida
Dani diz:
*mande
Lui diz:
*eu preciso dessa terapia, eu acho... pra continuar vivendo. pra nao ter q cuspir tds essas coisas na cara das pessoas
*pela minha paz de espírito talvez...
quando vejo a Bel e a minha mãe se olhando, eu penso em tudo isso. e mais ainda em uma passagem do clássico do Milan Kundera (A Insustentável..) que falava mais ou menos que o verdadeiro grau de bondade do homem, só poderá ser medido no seu relacionamento com os que não demonstram força, ou indicam perigo: os demais seres vivos... nunca poderá ser dito bom um homem que ajuda somente àqueles dos quais sabe que irá tirar algum proveito mais tarde. não existe bondade com quem você mede forças. seja um affair, uma ex do seu atual, ou whatever... dificilmente haverá bondade pura entre os homens, com seus desejos e intentos tão sofisticados... a bondade é gratuita, aparece sem preço de custo, ou juros! e há em nós, uma grande gama de interesses, ao qual o mundo está subjulgado em nossas sinapses, e assim fica difícil, realmente, nos doar a qualquer outro... e do jeito que as coisas andam, se olharmos, como Milan o fêz, para o mundo em que nascemos e o mundo que estamos deixando, tão porco, tão podre, tão violento, é impossível evitar o sentimento de que algo saiu errado...
das árvores que colheríamos o alimento, fizemos tábua para nossos móveis, e papiro pras nossas assinaturas; dos animais que fertilizariam esse solo, ou daria-nos leite, ou ovos eventualmente, tiramos logo a carne, a pele, o osso, o tutano pra fazer creme de cabelo, até que aquilo não pareça com algo que um dia teve vida... e é assim que eu imagino a Terra, momentos antes de as deixarmos, seca, pelada - ficou que só os galhos, coitada - rachada feito o solo do meu sertão... tanta gente viveu nesse mundo, e lutou, e deu a vida a essa luta, pra que deixássemos a nossa casa assim, marcada pra morrer; pra que deixássemos a vida com medo do que pensar da vida que deixamos pras crianças viver... eu me envergonho, me enveneno, até, desta verdade, honestamente. e essa vergonha cresce a cada dia, meu tamanho meu corpo físico lúdico gasoso, meu mundo, meu Universo Inteiro se reduz a cada dia... todo dia acordo um pouco menor, um pouco mais curvada, com mais rugas... e me sinto cansada... e fico pensando até quando... até quando, meu deus, eu vou acordar com o peso do mundo desmoronando sobre as minhas emoções... é possível envelhecer com isso guardado?
eu quero viver pra ouvir o ronron dos gatinhos, e a mágica composição do canto dos passarinhos, e ver o sol nascer, e morrer, todo dia, sem pensar que a minha espécie está destruindo tudo aquilo que eu amo...
* por favor, queiram entender aqui que "de deus" não se trata SER BOM, MORALMENTE VIGOROSO, ou DOGMATICAMENTE ACEITÁVEL, me refiro simplisticamente ao que é da Natureza, não me importam muito os nomes...
Lui diz:
*dps te mando o link se quiser
*mas eh mais um dakeles textos reclamando da vida
Dani diz:
*mande
Lui diz:
*eu preciso dessa terapia, eu acho... pra continuar vivendo. pra nao ter q cuspir tds essas coisas na cara das pessoas
*pela minha paz de espírito talvez...
sábado, 11 de abril de 2009
pra quem curte um discurso...
minha forma de ver as coisas é bem simples.
na verdade não é, mas meu professor de redação disse que é importante ditármos verdades em nossos enunciados. então a partir daí, da verdade que sabe-se parcial, podemos perceber que todas as estações, todos os pontos, que compõe a vasta malha rodoviária da nossa Concepção da Vida, todos eles tornam-se verdades fundamentais e indubitáveis, por mais que se colocadas juntas em comparação talvez caíssem numa contraditoriedade difícil de ser engolida. e pra ser sincera, eu não tenho nada contra essa concepção. cada perspectiva que temos realmente grita tão alto, que quer se dizer única e insubstituível; mesmo que dizê-La de acordo com Seus Anseios irredutíveis de Idéia seja negar essencialmente outra, a quem se "contrapõe". não me importo muito com as famigeradas contradições, pessoalmente. até porque o pensamento, por si, não trás consigo o fardo da coerência - nós, como um construto social, o trazemos, mas não é algo que diga respeito à sua essência. nossos sonhos nos confirmam isso, e diriam muito mais se nós conseguíssemos alcançar novamente o valor das coisas e não somente evocar seus nomes; se conseguíssemos enxergar a essência dos eventos, e não o valor atribuído, ou comparativo... e não fazer isso (não enxergar os eventos em essência) significa sentir o peso de algo em detrimento de outro, uma concepção totalmente condicional. é óbvio que essa necessidade de ponderar é totalmente essencial pro processo de identificação (que diz que você reconhece tal atributo porque reconhece em si mesmo)/ austeridade (que diz que você não reconhece tal atributo porque não o enxerga em si) para constituir certezas relativas de mundo, mas tbm é importante reconhecer nisso um mecanismo racional básico, e considerar que não necessariamente essa é a única maneira de perceber. tentar "superar" as limitações da mente não significa negar sua contundência, significa simplesmente tentar ampliar os espaços subjetivos dentro dos quais ela, a mente, trabalha com os conceitos. falando de maneira menos subjetiva, perceber a vida de forma espiritual/metafísica, por exemplo, é mais uma esfera na qual você reconhece determinados valores e através da qual vc TBM vê o mundo, traça suas relações interpessoais, analisa um evento, debate sobre etc... a inteligência, palavrinha muito subjulgada ultimamente, não se contenta com colocar as essências em frascos e dar nome a eles! ela pede espaço, material para assimilar, objetos para criação, crer nela como um mero mecanismo de categorização ou reprodução é subestimá-la radicalmente.
e é isso que temos feito com nós mesmos. o sentimento moralista diante da criação, a tentativa de constituir uma arte moral que não fira os pudores - que não permite que se mostre a banda podre, que não concebe o lado também mórbido das aspirações e fantasias... - não só reduzem a arte ao que é afável aos olhos, como nos obriga a colocar dentro do armários, sob pequenas doses de empurrões para que coubesse, um largo lado de nós. e com isso, criamos mais bichos de 7 cabeças (bem mais que podemos suportar em uma existência sadia), de modo que viver em nosso corpo seja como viver em território desconhecido, e se acabasse por se perder nos obscuros quartos de consciência esvanescida, traumas, bloqueios, escapes, projeções, transferências, e quanto mais jargões demagogos forem necessários pra exprimir...
o grotesco é o que dá asco, mas também é o que instiga, de maneira oposta ao sublime, e estético - estes últimos, rocha na qual inscrevemos os 10 mandamentos da arte como-ela-deve-ser. deixado de lado, distanciamo-nos um passo a mais do que chamamos ser humano (por um estranho sentimento de auto-comiseração e auto-piedade), mas que por falta de decência e sinceridade, por termos decidido fechar tantas vezes os olhos pro que nos chama, conseguimos ser menos ainda que isso, menos ainda que humanos. e não me venham dizer que somos animais, porque os não-humanos sabem muito bem o que deles é esperado que sejam, e seu lugar no mundo...
a busca por sermos humanos é bem mais que imaginamos... é uma saga constante, e os objetivos estão tão distantes que anuviam-se, lá ao longe... encobertos por uma nuvem preta que estica-se com vontade por todo o horizonte, logo ela vai chover de volta as águas e ares de racionalidade superficial e percepção cartesiana.
enquanto buscarmos nos nossos objetos de contemplação o que não conseguimos contemplar em nós, nos faltará suficiente honestidade para lidar com a vida. é preciso muita franqueza pra dobrar os olhos pra dentro, muita sensibilidade, somos frágeis, todos, em níveis diversos, e se não levarmos isso em conta nos nossos relacionamentos seremos sempre todo farpas, brutos, os primatas sempre farão melhor... não conseguimos olhar pros nossos monstros escatológicos babões e cheios de dente, nao conseguimos admitir vulgaridade, mesmo que o Amor - nosso deus preferido - muitas vezes o seja (vulgar), e seja tbm coisas muito mais inaceitáveis que isso, mas que por entropia, por incapacidade de enxergar os acontecimentos sem um forte julgo moral, mais uma vez nublamos o olhar conscientemente e fingimos que não vimos o quão doente podemos ser, quando estamos pela metade.
eu receio ser sempre incisiva nas minhas falas quando digo que "é preciso", na maioria das vezes digo porque penso ser verdade, mas o leitor tem que entender que pouquíssimas expressões possuem esse nível magnânimo de impacto e persuasão. e por isso torno a repetí-lo mais de 5 vezes em cada texto.
paciência.
mas voltando, eu vim reiterando ao longo desse texto a urgência de equilibrar essa balança que nossa espécie descaralhou, o equilíbrio dos arquétipos, estamos já soterrados da cultura hierárquica patriarcal, da cultura da carne, da legitimidade, da labuta, do conhecimento, da matéria, da ciência... o reino da racionalidade se extendeu muito mais que deveria, estamos embrutecidos, ou descrentes demais pra enxergar qualquer viés para fora dele.
e é por isso que é preciso prestar atenção aos nossos sinais internos, tão tímidos e quase inconscientes que se escondem; perceber o que nos têm faltado, o que projetamos nos outros, ou em nossa fala...
~
então eu pretendia elucidar nesse post o porquê do nome do blog, e meu pensamento é péssimo tentando operar linearmente... aí, digamos que eu creia, ainda dentro dessa noção dos arquétipos complementares, que a leitura é o alimento do escritor, que absorver é tão necessário quanto extravazar, e que eu achava de certa forma que o que eu penso e sobre o quê reflito fosse ser digno em alguma esfera de ser lido...
e nisso tudo eu leio e escrevo horrores, verborragia
e quem curtir um discurso, fagocita.
ENFIM
~
"Surrealismo:
Substantivo. Puro automatismo psíquico através do qual se deseja exprimir, verbalmente ou por escrito, a verdadeira função do pensamento. Pensamento ditado na ausência de qualquer controle exercido pela razão, fora de toda a preocupação estética ou moral"
~
link do meu antigo blog: Louie, Louie
.
na verdade não é, mas meu professor de redação disse que é importante ditármos verdades em nossos enunciados. então a partir daí, da verdade que sabe-se parcial, podemos perceber que todas as estações, todos os pontos, que compõe a vasta malha rodoviária da nossa Concepção da Vida, todos eles tornam-se verdades fundamentais e indubitáveis, por mais que se colocadas juntas em comparação talvez caíssem numa contraditoriedade difícil de ser engolida. e pra ser sincera, eu não tenho nada contra essa concepção. cada perspectiva que temos realmente grita tão alto, que quer se dizer única e insubstituível; mesmo que dizê-La de acordo com Seus Anseios irredutíveis de Idéia seja negar essencialmente outra, a quem se "contrapõe". não me importo muito com as famigeradas contradições, pessoalmente. até porque o pensamento, por si, não trás consigo o fardo da coerência - nós, como um construto social, o trazemos, mas não é algo que diga respeito à sua essência. nossos sonhos nos confirmam isso, e diriam muito mais se nós conseguíssemos alcançar novamente o valor das coisas e não somente evocar seus nomes; se conseguíssemos enxergar a essência dos eventos, e não o valor atribuído, ou comparativo... e não fazer isso (não enxergar os eventos em essência) significa sentir o peso de algo em detrimento de outro, uma concepção totalmente condicional. é óbvio que essa necessidade de ponderar é totalmente essencial pro processo de identificação (que diz que você reconhece tal atributo porque reconhece em si mesmo)/ austeridade (que diz que você não reconhece tal atributo porque não o enxerga em si) para constituir certezas relativas de mundo, mas tbm é importante reconhecer nisso um mecanismo racional básico, e considerar que não necessariamente essa é a única maneira de perceber. tentar "superar" as limitações da mente não significa negar sua contundência, significa simplesmente tentar ampliar os espaços subjetivos dentro dos quais ela, a mente, trabalha com os conceitos. falando de maneira menos subjetiva, perceber a vida de forma espiritual/metafísica, por exemplo, é mais uma esfera na qual você reconhece determinados valores e através da qual vc TBM vê o mundo, traça suas relações interpessoais, analisa um evento, debate sobre etc... a inteligência, palavrinha muito subjulgada ultimamente, não se contenta com colocar as essências em frascos e dar nome a eles! ela pede espaço, material para assimilar, objetos para criação, crer nela como um mero mecanismo de categorização ou reprodução é subestimá-la radicalmente.
e é isso que temos feito com nós mesmos. o sentimento moralista diante da criação, a tentativa de constituir uma arte moral que não fira os pudores - que não permite que se mostre a banda podre, que não concebe o lado também mórbido das aspirações e fantasias... - não só reduzem a arte ao que é afável aos olhos, como nos obriga a colocar dentro do armários, sob pequenas doses de empurrões para que coubesse, um largo lado de nós. e com isso, criamos mais bichos de 7 cabeças (bem mais que podemos suportar em uma existência sadia), de modo que viver em nosso corpo seja como viver em território desconhecido, e se acabasse por se perder nos obscuros quartos de consciência esvanescida, traumas, bloqueios, escapes, projeções, transferências, e quanto mais jargões demagogos forem necessários pra exprimir...
o grotesco é o que dá asco, mas também é o que instiga, de maneira oposta ao sublime, e estético - estes últimos, rocha na qual inscrevemos os 10 mandamentos da arte como-ela-deve-ser. deixado de lado, distanciamo-nos um passo a mais do que chamamos ser humano (por um estranho sentimento de auto-comiseração e auto-piedade), mas que por falta de decência e sinceridade, por termos decidido fechar tantas vezes os olhos pro que nos chama, conseguimos ser menos ainda que isso, menos ainda que humanos. e não me venham dizer que somos animais, porque os não-humanos sabem muito bem o que deles é esperado que sejam, e seu lugar no mundo...
a busca por sermos humanos é bem mais que imaginamos... é uma saga constante, e os objetivos estão tão distantes que anuviam-se, lá ao longe... encobertos por uma nuvem preta que estica-se com vontade por todo o horizonte, logo ela vai chover de volta as águas e ares de racionalidade superficial e percepção cartesiana.
enquanto buscarmos nos nossos objetos de contemplação o que não conseguimos contemplar em nós, nos faltará suficiente honestidade para lidar com a vida. é preciso muita franqueza pra dobrar os olhos pra dentro, muita sensibilidade, somos frágeis, todos, em níveis diversos, e se não levarmos isso em conta nos nossos relacionamentos seremos sempre todo farpas, brutos, os primatas sempre farão melhor... não conseguimos olhar pros nossos monstros escatológicos babões e cheios de dente, nao conseguimos admitir vulgaridade, mesmo que o Amor - nosso deus preferido - muitas vezes o seja (vulgar), e seja tbm coisas muito mais inaceitáveis que isso, mas que por entropia, por incapacidade de enxergar os acontecimentos sem um forte julgo moral, mais uma vez nublamos o olhar conscientemente e fingimos que não vimos o quão doente podemos ser, quando estamos pela metade.
eu receio ser sempre incisiva nas minhas falas quando digo que "é preciso", na maioria das vezes digo porque penso ser verdade, mas o leitor tem que entender que pouquíssimas expressões possuem esse nível magnânimo de impacto e persuasão. e por isso torno a repetí-lo mais de 5 vezes em cada texto.
paciência.
mas voltando, eu vim reiterando ao longo desse texto a urgência de equilibrar essa balança que nossa espécie descaralhou, o equilíbrio dos arquétipos, estamos já soterrados da cultura hierárquica patriarcal, da cultura da carne, da legitimidade, da labuta, do conhecimento, da matéria, da ciência... o reino da racionalidade se extendeu muito mais que deveria, estamos embrutecidos, ou descrentes demais pra enxergar qualquer viés para fora dele.
e é por isso que é preciso prestar atenção aos nossos sinais internos, tão tímidos e quase inconscientes que se escondem; perceber o que nos têm faltado, o que projetamos nos outros, ou em nossa fala...
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então eu pretendia elucidar nesse post o porquê do nome do blog, e meu pensamento é péssimo tentando operar linearmente... aí, digamos que eu creia, ainda dentro dessa noção dos arquétipos complementares, que a leitura é o alimento do escritor, que absorver é tão necessário quanto extravazar, e que eu achava de certa forma que o que eu penso e sobre o quê reflito fosse ser digno em alguma esfera de ser lido...
e nisso tudo eu leio e escrevo horrores, verborragia
e quem curtir um discurso, fagocita.
ENFIM
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"Surrealismo:
Substantivo. Puro automatismo psíquico através do qual se deseja exprimir, verbalmente ou por escrito, a verdadeira função do pensamento. Pensamento ditado na ausência de qualquer controle exercido pela razão, fora de toda a preocupação estética ou moral"
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