...No princípio era o Verbo...

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sábado, 3 de junho de 2017

Vejo em mim o mundo velho e o mundo novo

Homem-partido

Homem-perdido

Homem-divisas

Homem-des- honesto

Homem-des- humano

&

Homem-maduro

Homem-povo

Homem-múltiplo

Homem-Todo

Homem-Mundi: o que leva o mundo dentro de Si, e em quem o Si é cercado de mundos, sem

muros, de porções abundantes e prósperas de uma coletividade sem fundos


Vejo em mim, o Sol – força suprema de vida que dá a vida e a dádiva da Luz, das cores e da

temperatura – e que raia ignorando os vestígios – agora iluminados – do mundo que se

esqueceu de morrer, do mundo que alguém precisa apagar as luzes ao sair, pq são as luzes de

um mundo sem reis que estão para surgir.

sábado, 30 de julho de 2011

Kaliyuga

ou O Nascimento do Novo Tempo

E quando tudo ruiu. Quando as esposas e seus chefes e seus maridos faliram. Quando a raiva abriu a boca e não encontrou palavras. Quando muitos estavam surdos, quando estavam mudos de quem eram, e já não sabiam mais o que fazer com o que não conseguiam ser. Quando todos, acostumados com vírgulas, não perceberam o ponto.
E continuaram tentando viver ao modo antigo, retilineares, cíclico. Verbo e viço combativo.
E a novidade da Roda já não era mais fantástica, eles ainda não percebiam, era chata. Repetia. Suas vidas pediam Maya e a Vida Maior lhes dava poesia. A Vida Maior lhes dava pontes. Lhes oferecia ofício digno. Suas cabeças davam voltas porque ainda não Viam. Na noite escura da Alma.
Quando o repeteco de Todo Tempo já não resolvia. Quando tudo pára.

E Tudo o que conheciam acaba. Um ponto. Os Bancos agora eram ruínas que os mendigos e mendigas usavam pra trepar. Era o grito de Liberdade dos oprimidos. A verdadeira revolução marxista era na verdade, uma foda bem dada na cara de todos os pudores que ainda puderam resistir. Proletários eram poucos perto dos que eram gente.
O Absurdo era o que alguns haviam esperado toda vida. Não tinham seus corações viciados e aprenderam a fazer o Absurdo de moradia.
Alguns aproveitaram para fazer feirinha. De trocas. Em Tempos de Absurdo a moeda era uma piada sem graça. Uma piada que muitos riam. Porque eles ainda não viam. Porque não acreditavam. Porque não quiseram submeter suas verdades ao brilho insolente da Beleza. Porque quiseram ser represa quando tudo agora era nosso.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

machina: the machines of god

pra mim a palavra serve pra pintar (quadros ou casas) e mão para dizer. pincel prende cabelo e dor liberta o movimento, a dor dança. a catarse é um retiro que eu vivo pra potencializar a voz do vazio. sujeira é palavra filha da ordem, caos consciente é o conceito-mãe do repouso no espírito.
entregação. entregamento.
aguardar vir a inspiração, afundar na luz do esquecimento, a lembrança de um nome de um lugar, a filha da amiga da empregada da sua prima que veio ao brasil aquela vez: o que nos escapa é a metafísica em ação. a função das coisas busca o homem que as faz funcionar. e pra este homem operar o mundo que vive é tão simples tão simples que não percebe, sua intenção verdadeiramente é o que faz ele girar.

domingo, 20 de março de 2011

A Grande Sacerdotisa

um vestido branco transparente
dentro uma mulher que dança
dentro de seu próprio largo evasivo aberto delírio
um vestido
explosivo ébrio de giro farto cego
desmedido Ato imanifesto não-regido
autônomo incerto vesgo não-objetivo vivo
giro desvio
sinto suor na testa no umbigo e frio
rodopio rio caio rolo desviro e não acordo nunca







(certo como as coisas que não podem ser ditas, vivo como uma coisa há muito tempo esquecida, objetivo como o mundo em seu umbigo, vadio como arquivo de professor e pasta de empresário curtido, esquivo e covarde como um cavaleiro que abre mão da armadura descobrindo e desarmando o peito que arde, irado como a fúria do vento no rosto dos namorados, terno como um terno Armani sendo passado... com cuidado, previsível como o fato de nada poder ser previsto, transparente como a palma da mão sente o corte lavando na água corrente o chicote, autônomo como um parceiro co-dependente num dia de crise, tudo é tão claro e tão frio que queima e cega, e faz a gente voltar os olhos pro outro lado...)


20/03/2011




domingo, 6 de março de 2011

Meta x Direção

"Você me acalmou com bel-ciência
Disse que a vida é ponte e não o chegar
E que pra se obter a tal da paciência
É deixar o presente respirar
Pra que pôr peso a mais na existência
Se toda pressa só faz demorar?
Você então provou com evidência
Que ter paciência é se dar, se dar"

há uma confusão quando dizem os adultos que devemos ter uma grande meta. uma meta, eles dizem. uma grande. não um sonho, não uma direção. uma meta. um começo meio e fim na vontade infinita que Deus lhe deu. uma fixação.
uma meta é um dardo no alvo. você dá um passo, ou estende o braço buscando a idéia do dardo no alvo, mantendo ela junto do seu corpo ao ponto de que vocês suam juntos. e tudo o mais é compartilhado. sua meta é tão real quanto você. quanto a sua potência. quanto um animal de estimação que você paga à prestação para ter, que você possui porque lhe aquece o coração assim crer. e isso basta.

a meta é um vetor que encontrou quem o detesse. a meta tem fim, como eu disse.
enquanto uma direção é eterna, e seu sentido pode variar, pode encontrar muros, e becos e esquinas e casas de família. isso tudo numa mesma flexa em disparada.
mas ela não acaba, e nem sequer começa em lugar algum. que tédio seria dela, ser eterna e ainda assim ter hora pra voltar.
a direção é adulta já, ora veja...

ela parte de um espaço suspenso, como digamos, o nosso Coração, a nossa Vontade, a nossa Carne, o nosso algo que aspira e transpira e não se cansa nunca. algo que seja distribuído democraticamente por todo o nosso corpo, algo que esteja simultaneamente na nossa alma; como a memória também, por exemplo, que segue viagem; uma direção pode ser concatenada pelas memórias que passaram, e uma direção pode ser sentida pelo Coração e, espontaneamente, passar a ser seguida. sem constrangimentos, sem polidez também.

a Vontade se funde com aquela direção porquanto a trajetória a satisfaz. enquanto a torna plena. a alquimia maior é que a vontade segue o caminho, sem transformar-se nele. sem perder sua Autonomia.
você é a experiência da direção, você não é a seta, nem o dardo, nem a meta, nem o alvo. você é o Intento que move os obstáculos, e transforma as paisagens com o olhar. você é um ser que plasma, e cria o tempo inteiro. você é o núcleo do átomo. as escolhas orbitam no entorno.

a direção é uma corrente de fluxo, uma temperatura. uma pergunta. ela não tem um fim em si, ninguém disse que encontrando a sua direção seu papel no mundo estará cumprido e você se sentirá satisfeito por tê-lo feito. mas você faz escolhas o tempo todo, e experimenta uma direção, cada curva, como prova o sangue nos dedos quando é pequeno
e se machuca.
você vai numa direção porque se encanta, e o encantamento é o seu estradar.


o Homem dentro de seu coração é invencível.
O objeto de sua vida é sua vida e não o objeto.
O objetivo de sua vida não é um caminho reto,
e o alvo de seu amor não é sólido e destrutível
como concreto.
Ele ama o amor, e este vem a ser
o seu trunfo discreto.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Deixe que a Alma tenha a mesma idade que a idade do Céu

Sempre que lembrar (na verdade não se esqueça), sempre que puder, por Amor, AGRADEÇA!


Somos grandes, mas não somos os únicos. Dentro de nós o Universo está latente, fadado ao sucesso, batendo aqui dentro, na corrente sanguínea corrente.
Estamos vivos, pulsamos no mesmo rítmo! Vocês sabem meus irmãos, que se agradecemos abrimos as portinhas de dentro da nossa mente para perceber o que há de produtivo guiando o nosso caminho íntimo. Contente-se!
Agradece não por auto-piedade, ou por sentir-se pequeno. Mas por saber que não sendo os únicos, não estamos sozinhos mesmo.
Agradecer é despertar o que há de mais rico na evolução: reconhcer cada passo como sendo necessário pra conquista de novos passos, e novos horizontes, e inspiração!
Agradecer é glorificar a existência, e seus insondáveis caminhos de vibração. Agradecer aos encontros que formaram quem somos, e que sem eles não seríamos tanto... E não amaríamos tanto, e não daríamos o tanto que damos pra ver acontecer a realização dos nossos sonhos.
Doar-se abrir-se a magnitude da História do Tempo. Perceba-se como pauta que acompanhou tudo desde o início. Somos matéria, da matéria sutil, da mesma matéria que sufoca se não souber como manejar.
Agradecer é Alquímico!

Agradecer, tão importante quanto respirar. E essa mesma respiração diz que estamos sendo supridos o tempo todo do que precisamos.
Quanto mais agradecemos, mais o tamanho dos eventos se equalizam, mais aspectos contemplamos. Não tem valor o que não tem valor, enquanto todo o resto, tudo que há de belo, vibra.

Sintetizam os passos do homem as palavras que dizem
"Não somos o
Que queríamos ser
Somos um breve pulsar
Em um silêncio antigo
Com a idade do céu..."

Quanto mais despirmos de desejo, quanto mais munidos de graça,
tanto maior é o brilho de tudo, não há gordura nas lentes, as lentes estão claras
não há maldade na cabeça, ou no coração
tudo o que há flui na corrente do Bem, que sopra no nosso ouvido as rimas e os poréns
atendo-se ao centro, e não às bordas
olhando para dentro, e não para fora
nos espantamos
e vemos
não estamos em lugar nenhum do espaço
somos feitos do mesmo vácuo
que as naves e que os pássaros


Quando vir uma foto do Céu
saiba que percebê-lo é integrá-lo à Sua divina essência,
o Céu faz parte da sua história como Alma
e essa vida, uma breve, breve passagem...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O que eu quero (2)

Mas daí eu olho pro céu de Minas, pro topo do Globo, pro mais alto alcançável pelos olhos-de-véu, quando olho recordo de meu tamanho mesmo, geométrico.
Sou, talvez assim, uma quinta parte de uma dobrinha na quina da nuvem branca gigante que está boiando por lá...
Sou talvez um breve respirar na hiperventilação compulsiva do Criador; sou talvez Sua cara de criança, sou Seu disfarce multi-espelhado, Sua graça não me atrevo a dizer, mas sinto-me como algumas de suas fantasias, sou sua indumentária vasta, seu infinito, seus hectáres de repertório pra piadas e estórias e causos e absurdos. Minha fantasia, como qualquer outra, é a Verdade que reside naquilo que é belo.

Quem sou eu