: um monte de homem crescido tentando ser macho
e um velho
magro, abatido
dormindo em cima de um capacho.
...No princípio era o Verbo...
sábado, 26 de dezembro de 2009
fulano atualizou Quem Sou Eu (Quem É Ele)
meu auto-conhecimento é uma piada
que eu sirvo em pratos limpos de prata
para engolir.
junto, bebo um monte de mentiras-em-lata
que servem, afinal,
para fingir;
meu auto-conhecimento
acontece para eu medir, também
se fiz evoluir!
e se o gosto de mim por mim
foi um pouquinho mais além...
(achei esse texticulo de bobeira aqui... data de novembro, a pospósito)
que eu sirvo em pratos limpos de prata
para engolir.
junto, bebo um monte de mentiras-em-lata
que servem, afinal,
para fingir;
meu auto-conhecimento
acontece para eu medir, também
se fiz evoluir!
e se o gosto de mim por mim
foi um pouquinho mais além...
(achei esse texticulo de bobeira aqui... data de novembro, a pospósito)
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
fim do ano e reclamações metafísicas
o fim do ano parece abrir um portal pra que entre todo tipo de arrependimento fútil. às vezes nem tem a ver com suas "escolhas erradas", ou as vezes tem sim a ver, mas eu sempre penso que se arrepender por essas coisas é quase sempre bobagem... pena também que pensar que é bobagem não faz o sentimento parecer mais tosco, ele é bem sólido na verdade.
queria ter nascido numa familia maior, com gente da minha idade. todas as festas estive rodeada de adultos, e observando-os e interagindo com eles em grande medida. algumas horas os achava mais tristemente previsíveis do que os acho hoje! outras vezes, simplesmente não entendia suas dissimulações, e a aparência de importância que revestiam alguns assuntos - do tipo, quando perguntamos aos nossos pais algo que eles considerem chocante pra ouvir de uma criança, eles se reservam se fecham e pensam pensam pensam muito pra dar uma resposta boba como quando você for mais velha eu te explico...
desde criança também vejo os visistantes, amigos do meu pai, de minha mãe, das seguintes namoradas e namorados dos dois, meus próprios coleguinhas, indo e vindo, e ninguém permanecendo, ninguém permanece.
sempre estive imersa no meu mundo de fantasias e de grandes histórias sobre coisas pequeninas, sobre uma tal semente, ou uma flor engraçada, as longas conversas com o Pequeno Polegar... sempre carreguei somente a mim mesma em todos os lugares, sempre tive a certeza melancólica que quase todos os momentos cruciais de nossa vida sempre estaremos sozinhos. mas voltando aos desejos bobos... queria não ter nascido tão cruamente racional e tão inumanamente sensível, e que tenha que viver pra conciliar esse paradoxo inestinguível. minha vida é estar sobre uma carruagem, domando cavalos arredios e independentes, cada qual desanfreado atrás de seu próprio caminho, em direções e intenções opostas. queria não ser tão ansiosa, e conseguir firmar meus pés sobre o presente agora. essa intranquilidade, esse tédio, consigo me sentir quando tinha 14/ 15 anos, o tanto que não me senti assim naquela época... vivo uma tentativa frustrada de manter o equilíbrio, tendo que estar sempre conciliando lados tão largos, e tão obtusos dentro de mim. sei que todo homem, há de viver suas dificuldades específicas, mas sei que me canso, há mto tempo me canso, quando volto a mim me sinto com 60 anos, rastejados, e quietos, uma fera falsamente amansada pela cultura, por dentro muita mágica e sentimento lunar, um mundo inteiro trancado dentro de sua racionalidade estanque, sem gravidade. tudo ferve por dentro, e por fora só o marasmo.
queria ter nascido numa familia maior, com gente da minha idade. todas as festas estive rodeada de adultos, e observando-os e interagindo com eles em grande medida. algumas horas os achava mais tristemente previsíveis do que os acho hoje! outras vezes, simplesmente não entendia suas dissimulações, e a aparência de importância que revestiam alguns assuntos - do tipo, quando perguntamos aos nossos pais algo que eles considerem chocante pra ouvir de uma criança, eles se reservam se fecham e pensam pensam pensam muito pra dar uma resposta boba como quando você for mais velha eu te explico...
desde criança também vejo os visistantes, amigos do meu pai, de minha mãe, das seguintes namoradas e namorados dos dois, meus próprios coleguinhas, indo e vindo, e ninguém permanecendo, ninguém permanece.
sempre estive imersa no meu mundo de fantasias e de grandes histórias sobre coisas pequeninas, sobre uma tal semente, ou uma flor engraçada, as longas conversas com o Pequeno Polegar... sempre carreguei somente a mim mesma em todos os lugares, sempre tive a certeza melancólica que quase todos os momentos cruciais de nossa vida sempre estaremos sozinhos. mas voltando aos desejos bobos... queria não ter nascido tão cruamente racional e tão inumanamente sensível, e que tenha que viver pra conciliar esse paradoxo inestinguível. minha vida é estar sobre uma carruagem, domando cavalos arredios e independentes, cada qual desanfreado atrás de seu próprio caminho, em direções e intenções opostas. queria não ser tão ansiosa, e conseguir firmar meus pés sobre o presente agora. essa intranquilidade, esse tédio, consigo me sentir quando tinha 14/ 15 anos, o tanto que não me senti assim naquela época... vivo uma tentativa frustrada de manter o equilíbrio, tendo que estar sempre conciliando lados tão largos, e tão obtusos dentro de mim. sei que todo homem, há de viver suas dificuldades específicas, mas sei que me canso, há mto tempo me canso, quando volto a mim me sinto com 60 anos, rastejados, e quietos, uma fera falsamente amansada pela cultura, por dentro muita mágica e sentimento lunar, um mundo inteiro trancado dentro de sua racionalidade estanque, sem gravidade. tudo ferve por dentro, e por fora só o marasmo.
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domingo, 13 de dezembro de 2009
para um puta amigo (para meu amigo-puta tbm serve)
uma resposta ao texto "reencontro" do antoniô *
apesar de perplexa essa amizade, nunca poderia ser previsível, nem ao menos poderíamos chamar de precoce - como se isso fosse bom... ela, como um organismo senciente independente, sabe melhor que nós, sobre o seu próprio tempo.
desde que brotou tem cara de fruto maduro, primavera latente em si mesma, como se sempre assim tivesse sido, e o que quer que estivesse ido antes, agora já não fazia mais sentido, e era logo assim substituído e sobreposto com uma nova cara, uma nova proposta. como as ondas, perenes
e do vento, a inconstância.
às vezes eu tinha a impressão que apesar de ele ser a pessoa que ela também mais conhecia no mundo, sempre restava algo incógnito, sempre houve uma espécie de respeito mútuo que ambos não conseguiam nem queriam transpassar. sabiam de cor o espaço do outro, que não devia ser ultrapassado - sob a ameaça de turbulentas e ácidas e falastronas discussões gritadas posteriores.
eram como que o cais um do outro, só que sem tanto tédio, nem tão firme nem tão certo quanto o porto, mas era onde sabiam que podiam amarrar seus barcos. de alguma forma, mesmo na ressaca do mar (ou do bar), mesmo na arrebentação, na distância, havia uma comunicação entre seus espíritos que nem mesmo os amantes haveriam crido! há ainda também, uma sintonia entre suas filosofias (tão mutáveis e ao mesmo tempo tão eternas em cada forma peculiar de serem sentidas), em seus momentos... por isso sempre sabiam cuidar da ferida um do outro, e também sempre podiam acrescer, somar, sem jamais se consumirem até o final.
* mudei a tônica pq agora esse cuzão ta na frança
apesar de perplexa essa amizade, nunca poderia ser previsível, nem ao menos poderíamos chamar de precoce - como se isso fosse bom... ela, como um organismo senciente independente, sabe melhor que nós, sobre o seu próprio tempo.
desde que brotou tem cara de fruto maduro, primavera latente em si mesma, como se sempre assim tivesse sido, e o que quer que estivesse ido antes, agora já não fazia mais sentido, e era logo assim substituído e sobreposto com uma nova cara, uma nova proposta. como as ondas, perenes
e do vento, a inconstância.
às vezes eu tinha a impressão que apesar de ele ser a pessoa que ela também mais conhecia no mundo, sempre restava algo incógnito, sempre houve uma espécie de respeito mútuo que ambos não conseguiam nem queriam transpassar. sabiam de cor o espaço do outro, que não devia ser ultrapassado - sob a ameaça de turbulentas e ácidas e falastronas discussões gritadas posteriores.
eram como que o cais um do outro, só que sem tanto tédio, nem tão firme nem tão certo quanto o porto, mas era onde sabiam que podiam amarrar seus barcos. de alguma forma, mesmo na ressaca do mar (ou do bar), mesmo na arrebentação, na distância, havia uma comunicação entre seus espíritos que nem mesmo os amantes haveriam crido! há ainda também, uma sintonia entre suas filosofias (tão mutáveis e ao mesmo tempo tão eternas em cada forma peculiar de serem sentidas), em seus momentos... por isso sempre sabiam cuidar da ferida um do outro, e também sempre podiam acrescer, somar, sem jamais se consumirem até o final.
* mudei a tônica pq agora esse cuzão ta na frança
alquimia na paróquia
confesso-me e confesso que
nem sei
dos pecados que cometi,
quantos deles não foram, em pensamento
que consumi!
no confessionário, ou
encarando o teto
do meu quarto
em um vislumbre deslumbrado,
eu lembro:
nós dois deitados,
eu em silêncio
amplificado,
pensando alto
se não peco,
e nego o ato
não seria também um tanto
blasfêmico
o fato
de lhe ter negado
contato?
mi cuerpo quiere volar derecho a tu cuerpo
sem escalas, sem freio
na nossa igreja, a lei é essa
que faça sexo
mas não faça feio!
aos padres e magos, aos homens! aos grandes e verdadeiros alquimistas do mundo cotidihumano, aos maiores mágicos e domadores, que conseguem manter seus puppies selvagens trancados E !satisfeitos! dentro de seus cativeiros privados, sem que estes espécimes desejem nada além de serem cotidianamente alimentados e bajulados, ao final da semana.
(02/Novembro/2009)
nem sei
dos pecados que cometi,
quantos deles não foram, em pensamento
que consumi!
no confessionário, ou
encarando o teto
do meu quarto
em um vislumbre deslumbrado,
eu lembro:
nós dois deitados,
eu em silêncio
amplificado,
pensando alto
se não peco,
e nego o ato
não seria também um tanto
blasfêmico
o fato
de lhe ter negado
contato?
mi cuerpo quiere volar derecho a tu cuerpo
sem escalas, sem freio
na nossa igreja, a lei é essa
que faça sexo
mas não faça feio!
aos padres e magos, aos homens! aos grandes e verdadeiros alquimistas do mundo cotidihumano, aos maiores mágicos e domadores, que conseguem manter seus puppies selvagens trancados E !satisfeitos! dentro de seus cativeiros privados, sem que estes espécimes desejem nada além de serem cotidianamente alimentados e bajulados, ao final da semana.
(02/Novembro/2009)
mensagem do mundo onírico
nadar nadar nadar
sucumbir
à beira da praia.
acumular tarefas responsabilidades e papéis pra interpretar e introverter pra depois passar correndo por isso tudo abanando um lenço velho cor de rosa, que diz tão somente, tão óbvio, que não volto cedo pra esse mar de projeções vacantes, culto da personalidade
eu abandono,
eu não volto
e permaneço descontente.
e não vejo sentido em minha jornada pra fora disso que convencionou-se minha vida. minha vida, uma sensação sempre estrangeira, de que se completa e se esvazia, se esgota, a cada porto, chegada, saída
a cada pessoa que entra, e que some em minha memória, buraco-negro de mim, pronde vão todos os caboclos, todas as teorias, as práticas, o desejo de se consumar a todos e tudo no meu espirito aqui-e-agora, eu não sei esperar, e por isso eu corro e saio voando, batendo as minhas asas feitas de fios de pensamentos, feitas de neuronios e neuroses, e penas de pássaro imigrante, eu sou a mistura de tudo o que eu vejo de lindo, e tudo que não posso assimilar de tão grande, recipiente transbordando de água, água salgada água doce, meu canal é incipiente passam fios de sal, fios de açucar um por vez. a única coisa é certa ou sou eu que fujo da água, ou a água foge de mim, das duas formas permaneço eu,
esgotada, intensa, e pra sempre sem nada nas mãos.
sucumbir
à beira da praia.
acumular tarefas responsabilidades e papéis pra interpretar e introverter pra depois passar correndo por isso tudo abanando um lenço velho cor de rosa, que diz tão somente, tão óbvio, que não volto cedo pra esse mar de projeções vacantes, culto da personalidade
eu abandono,
eu não volto
e permaneço descontente.
e não vejo sentido em minha jornada pra fora disso que convencionou-se minha vida. minha vida, uma sensação sempre estrangeira, de que se completa e se esvazia, se esgota, a cada porto, chegada, saída
a cada pessoa que entra, e que some em minha memória, buraco-negro de mim, pronde vão todos os caboclos, todas as teorias, as práticas, o desejo de se consumar a todos e tudo no meu espirito aqui-e-agora, eu não sei esperar, e por isso eu corro e saio voando, batendo as minhas asas feitas de fios de pensamentos, feitas de neuronios e neuroses, e penas de pássaro imigrante, eu sou a mistura de tudo o que eu vejo de lindo, e tudo que não posso assimilar de tão grande, recipiente transbordando de água, água salgada água doce, meu canal é incipiente passam fios de sal, fios de açucar um por vez. a única coisa é certa ou sou eu que fujo da água, ou a água foge de mim, das duas formas permaneço eu,
esgotada, intensa, e pra sempre sem nada nas mãos.
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Que pessoa, Pessoa...!
"Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração
e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e
pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e
montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo
árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores
e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora."
na íntegra: http://www.pessoa.art.br/?p=487
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração
e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e
pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e
montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo
árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores
e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora."
na íntegra: http://www.pessoa.art.br/?p=487
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