...No princípio era o Verbo...

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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Joana / Joana para Jasão

"E olhando eles assim fiquei pensando, eles podem acordar de repente, se eles acordam, minha vida, assim do jeito que está destrambelhada, sem pai sem pão, a casa revirada se eles acordam vão olhar pra mim, vão olhar pro mundo sem entender, vão perder a infância, o sonho, o sorriso, pro resto da vida, ouça eu preciso de vocês e vocês vão compreender, duas crianças cresceram pra nada, pra levar bofetada pelo mundo, melhor é ficar num sono profundo com a inocência assim cristalizada.

Ninguém vai sambar na minha caveira vocês estão de prova, eu não sou mulher pra macho chegar e usar como quer depois dizer tchau deixando poeira na cama desmanchada, mulher de malando comigo não, não sou das que suspiram com a submissão. Eu sou de arrancar a força guardada cá dentro com toda a força do meu peito pra fazer forte o homem que me ama, assim quando ele me levar pra cama eu sei que quem me leva é um homem feito. E foi assim que eu fiz Jasão um dia, agora não sei, quero a vaidade de volta minha garra, minha vontade de viver, meu sonho minha alegria, eu quero tudo contado bem direito. 

Pois bem, você vai escutar as contas que vou lhe fazer, te conheci moleque frouxo, perna bamba barba rala calça larga, bolso sem fundo, não sabia nada de mulher, nem de samba, e tinha um bruto de um medo de olhar pro mundo, as marcas do homem, Jasão, uma a uma, em tu tirou todas de mim, o primeiro filho, o primeiro prato, o primeiro violão, o primeiro refrão o primeiro estribilho te dei cada sinal do teu temperamento te dei matéria prima pro teu tutano e mesmo essa ambição que neste momento se volta contra mim eu te dei por engano, fui eu Jasão, você não se encontrou na rua não você andava tonto quando eu te encontrei fabriquei energia que não era sua pra iluminar uma estrada que eu te apontei."

quarta-feira, 20 de junho de 2012

indo

que conforto
saber que às vezes posso ser na vida
a criança
que nunca cresceu
e abrir meu peito lança
- mas não tão bélico -
aberto ao inesperado, espero
e meu amor é cheio de esperança
repleto
de carisma carinho, de muito quero
e de medo, de medinho
de criança
o cheiro
do seu cabelo, sua Essência, do vinho
menino
eu me perco só de pensar você
na rotina
e parece que nem dobrei a rua
que nem deixei de ser
menina
eu te amo quando dobro cada esquina
quando dobro a minha língua e
meu orgulho
num deslizar fácil de dedos
emoções e origamis parecem tão simples, e eu
te amo quando o ônibus passa
e ele passa e eu nem sei qual é



para um leonino de barba (19/09/2011)


sábado, 21 de agosto de 2010

Meditações sobre Depilação

Antes:

* toda aquela preparação emocional, o impulso latente de desistir e ir comer uma fatia de pizza em qualquer lugar, jurando pra si mesma que nada aconteceu.

* o cálculo das finanças, você sofre até mesmo antes, cara amiga, apenas não percebe, pois provavelmente essa rotina excruciante já devorou seu coração. você, mulher moderna, precisa ter correndo nas veias a bravura de uma galinha que, na esteira, vai indo pro abate. Força nessa hora! ser fêmea é resistir, bonita, pense nisso.

* você ajeita a depilação no seu dia de forma que depois dela você se movimente o mínimo possível. quem faz sabe porque, e sendo assim, não precisa dizer mais nada. ninguém marca uma depilação e depois vai correr na Lagoa, é algo que você simplesmente não faz.




Na cabine:

* respiração controlada, pensamento Loading Deus . . ., e a esperança de que dessa vez vá doer menos.

* pensa que no final vai valer a pena, pensa nos bofes e nos bafos, e pensa que isso tudo está sendo feito por um Motivo Maior. o pensamento nessa situação é sua arma mais poderosa!

* pensa-se em conversar com a depiladora e automaticamente veta-se a idéia, voltando a prestar atenção na respiração e tudo o mais - o que pelo menos ao longe garante um momento menos estressante.

* aqui rola o sentimento inalienável de que se você conhecesse o infeliz que inventou a depilação, ele já estaria cortado em pedaços no canil da sua casa.

* hoje, depois de terminado o Massacre da Cera Quente, ouvi uma depiladora pedindo pra outra "passar o uísque".
gelei, pensei, e cheguei a conclusão de que a moçoila tinha dito outra coisa que fazia mais sentido e da qual não consigo lembrar agora.
enfim, pensei comigo, "Podia ser pior", a cera podia ser fria, e a depiladora podia ser alcólatra, pra nós vermos que nem tudo é um canal de esgoto nesse caminho...




Saindo do instituto de depilação:

* aquela sensação infame de que qualquer um que te vê saindo de um instituto de depilação COM CERTEZA imagina você depiladinha. homem ou mulher, não importa, não dá pra fugir disso. o pensamento voa, e quando a pessoa menos espera ela já botou os olhos na sua pélvis e você, nem sentiu.

* você sente a inspiração latejando nas suas sinapses, uma raivinha que faz as palavras aparecerem mais depressa na sua cabeça, você sabe que o processo criativo te aguarda em casa. o tema? alguma coisa entre "Liberdade de Expressão & o Universo Feminino" e "A luta contra o patriarcado em 10 momentos". não varia muito além disso, e nós entendemos demais o porquê.

* por fim, a recompensante e gloriosa sensação de dever cumprido. nos sentimos mais leves, mais contentes, enfim, mais mulheres. agora você pode encarar sua night com naturalidade e sem medo de ser surpreendida caso você acabe a noite acompanhada.




Lição de Moral:

* depilar arrocha, mas compensa.

* a depiladora é nossa amiga, e não o seu boy. tudo bem você se abrir 100% pra ela.

* e, no final, você pode sempre confiar no gelzinho de algas, que afaga a sua intimidade com todo respeito.

Quem sou eu